André Cadere

INSTITUTO INHOTIM

BELO HORIZONTE

SÃO PAULO

Varsóvia, Polônia, 1934 – Paris, França, 1978

André Cadere nasceu na Polônia, cresceu na Romênia e, antes de sua morte precoce, em Paris, em 1978, já era considerado um dos artistas mais singulares do seu tempo. Pouco se conhece da sua atividade inicial na Romênia. Quando chegou à França, juntou-se à geração de artistas pioneiros da arte conceitual, que, no início da década de 1970, contestava o estatuto dominante da obra de arte e das instituições museológicas. É nesse contexto que surgem os seus célebres Barres de Bois Rond (1970- 78), bastões cilíndricos de madeira, que lhe valeram o apelido “o homem do bastão”. Os bastões eram fabricados artesanalmente pelo artista, revelando características de um objeto feito à mão, com pequenas imperfeições propositalmente criadas. Sua produção, contudo, baseava-se em rigorosos princípios matemáticos e numa sequência precisa de cores.

Como parte de um projeto que entre- laçava arte e vida, Cadere carregava esses bastões, que podiam medir 1 metro de comprimento, por espaços da arte e fora deles. Questionando os sistemas de produção, circulação e visibilidade do objeto artístico e a sua indissociabilidade do mercado e das instituições, suas aparições em vernissages, por toda a Europa, tornaram-se lendárias. Cadere circulava com os bastões na mão e os colocava clandestinamente no espaço expositivo, escondendo-os atrás de trabalhos em exposição e intervindo de forma provocativa nas mostras de outros artistas. Um espírito nômade, associado à ideia de liberdade e de autonomia ante o meio artístico, sempre caracterizou a vida e a prática artística de Cadere. Os cerca de 200 bastões que produziu durante sua curta trajetória representam um instrumento de ruptura com o circuito artístico da época, do qual, no entanto, não deixam de fazer parte. Até hoje Cadere permanece simultaneamente dentro e fora do circuito que o legitimou.

Inês Grosso