Chris Burden

INSTITUTO INHOTIM

BELO HORIZONTE

SÃO PAULO

Boston, EUA, 1946; vive em Topanga, EUA

Chris Burden é figura central de uma geração de artistas que combateram o autoritarismo, entre o fim dos anos 1960 e o início dos anos 1970, vendo em museus e instituições representantes do establishment. A land art, a arte conceitual e a performance surgiram como propostas alinhadas ao espírito de movimentos sociais pró-igualdade de direitos e contra a Guerra do Vietnã, que naquele momento desafiavam o status quo. Embora seja hoje mais conhecido por suas esculturas de grande escala e enormes desafios técnicos, quando estava se graduando na Universidade da Califórnia, em 1971, Burden desenvolveu um corpo de obra com a ideia de que, no futuro, a arte verdadeiramente significativa e duradoura não seria mais baseada em objetos, deixando de ser algo facilmente colecionável e comercializável. Sua obra se juntava à de outros colegas que acreditavam que a arte deveria ser efêmera, além de política e socialmente engajada.

Nessa altura, Burden realizou uma série de performances, levando esse entendimento sobre arte a um novo extremo ao transformar seu corpo em objeto e suporte. Chocantemente diretas, as ações que ele realizava perturbavam de maneira direta as convenções do mundo da arte e da sociedade. Em Shoot [Atirar, 1971], pediu a um amigo que atirasse em seu braço com um revólver, em frente ao público de uma galeria, ao passo que em Five Day Locker Piece [Peça de escaninho de cinco dias, 1971] ele se trancou num escaninho da universidade por cinco dias consecutivos e em Doorway to Heaven [Porta do céu, 1973] ele se eletrocutou. Deluxe Photo Book 1971-73 [Livro de foto Deluxe 1971-73] nada mais é que um álbum fotográfico que registra essas e mais 20 performances desse período com imagens e textos do artista – um arquivo precioso, por meio do qual essas obras sobrevivem de maneira simples e profunda.

Jochen Volz