Cildo Meireles

INSTITUTO INHOTIM

BELO HORIZONTE

SÃO PAULO

Rio de Janeiro, 1948; vive no Rio de Janeiro

As obras de Cildo Meireles já foram descritas como “objetos filosóficos” ou “pensamentos materiais”, apontando para sua forte ligação com as diversas abordagens da arte conceitual. É da unidade entre conceito e objeto, entre espírito e matéria, que a arte de Meireles deriva sua força. Desde o fim da década de 1960, o artista experimentou diversas estratégias e técnicas em sua obra e, com frequência, uma ampla gama de material está em jogo. As obras de Meireles são ricas em referências simbólicas e linguísticas e cheias de substância poética e política.

Em 1967-68, Meireles trabalhou em uma série de 44 desenhos, intitulada Espaços virtuais: Cantos, variação imaginativa de um canto de um cômodo doméstico, indicado pelo encontro de duas paredes e do piso, acentuado por rodapés. Alguns desses exercícios de geometria e do virtual foram realizados como objetos tridimensionais em escala real. Espaços virtuais: Canto no VI (1967-68/2005) é um dos melhores exemplos da destreza de Meireles em envolver o espectador, que tenta compreender a perspectiva com seu próprio movimento em torno do objeto.

As notas de dinheiro em exposição são de dois corpos de obra distintos. Para “Information”, exposição no Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova York, em 1970, Meireles desenvolveu suas Inserções em circuitos ideológicos, explorando a noção de circulação e de intercâmbio de riqueza. Para o Projeto cédula, o artista carimbou mensagens em notas de dinheiro antes de devolvê-las à circulação normal. As mensagens, que apareciam tanto em inglês quanto em português, incluem vários slogans políticos, como a questão: “Quem Matou Herzog?”, referindo-se ao jornalista Vladimir Herzog (1937-75), preso e morto pela ditadura militar. Zero cruzeiro (1974-78) e Zero Dollar (1978-84) usam estratégias similares de distribuição, propondo notas falsas e questionando o valor do dinheiro, trazido à desvalia total.

Jochen Volz