Cinthia Marcelle

INSTITUTO INHOTIM

BELO HORIZONTE

SÃO PAULO

Belo Horizonte, 1974; vive em São Paulo

Desde o início da década de 2000, Cinthia Marcelle vem construindo sua obra com ampla variedade de mídias, da instalação à escultura, passando por fotografia, vídeo e performance. A artista trabalha com a invenção de imagens e delas extrai fortes cenas poéticas. Vez por outra, parece criar explicitamente circunstâncias ou antes pequenas configurações, comparáveis a modelos concebidos para verificar as coisas. Um modelo é a representação abstrata de um sistema do ponto de vista do criador. Isso ajuda a simular a realidade, a questioná-la e a compreendê-la. Essa é a força do trabalho de Marcelle, sempre começando com curiosidade, com uma ideia ou um pensamento, transformados em imagem – uma afirmação clara de que a arte diz respeito sobretudo ao ato de se dispor a questionar as coisas. Respostas são obtidas apenas no sentido em que são necessárias para continuar estimulando mais e novas perguntas.

Como ponto de partida, a maior parte das obras de Marcelle se baseia em instruções claras. Em Fonte 193, por exemplo, a artista contratou um caminhão de bombeiro para rodar constantemente em um círculo completo, com a mangueira lançando água em direção ao centro, criando a imagem de uma fonte invertida. A cena é filmada do alto, numa mina de ferro em Minas Gerais. Com o tempo, a terra vermelha, que preenche todo o quadro da imagem, fica enlameada, fazendo com que o movimento circular do caminhão seja cada vez mais difícil. O filme é apresentado em loop contínuo, como um desenho animado criado pela equação homem-máquina-terra, cuja ação é localizada no tempo pela mudança de luz. Assim como em outras obras em vídeo de Marcelle da série Unus Mundus – marcada por investigações de simultaneidade e sincronicidade –, em Fonte 193 há um grau de absurdo digno de Sísifo.

Jochen Volz