Décio Noviello

INSTITUTO INHOTIM

BELO HORIZONTE

SÃO PAULO

São Gonçalo do Sapucaí, MG, 1929; vive em Belo Horizonte

Convidado a organizar o Salão de Ouro Preto de 1970, o crítico e curador Frederico Morais propôs a realização da mostra “Objeto e participação” nas galerias do Palácio das Artes e uma manifestação intitulada “Do corpo à terra”, que aconteceria no Parque Municipal, em Belo Horizonte, na semana de comemoração da Inconfidência Mineira. Morais estabeleceu alguns critérios para a manifestação, entre os quais determinava que as obras teriam de ser pensadas para o local, com sua concretização condicionada àquele momento. Deveriam ser expostas no parque, e os vestígios das ações seriam deixados no local até que fossem naturalmente destruídos. Os trabalhos também ocorreriam em horas e locais diversos, de modo que ninguém pudesse acompanhar a manifestação em sua totalidade. Entre os vários artistas convidados, estava Décio Noviello, que respondeu aos critérios de Morais propondo Ação no Parque Municipal. A obra consistia na propagação de fumaça em várias cores, em pontos espalhados pelo parque, usando sinalizadores e discutindo o uso da cor no espaço.

Décio Noviello vinha desenvolvendo, àquela altura, uma produção centrada na pintura, com forte influência do movimento pop. Interessava-se por estudos sobre cor e a diversidade de materiais e técnicas, gerando pinturas-objetos e questionando não apenas os limites daquele suporte, mas também sua identidade e os gêneros. Além de artista, Noviello era oficial do Exército e sua atuação como tenente- coronel deu-lhe acesso ao Manual Técnico de Munições Químicas, publicado pelo Ministério da Guerra, em 1955, que serviu de base para o happening realizado em “Do corpo à terra”. Com seus artefatos bélicos, cujo uso também era reportado no Vietnã, Noviello não só dilatava as possibilidades da pintura, como também transgredia as práticas militares ao fazer uso delas com intuitos lúdicos, artísticos e políticos.

Julia Rebouças