Ernesto Neto


BELO HORIZONTE

Rio de Janeiro, 1964; vive no Rio de Janeiro

Ernesto Neto é conhecido internacional- mente por suas instalações e esculturas, frequentemente em grande escala, muitas das quais são desenvolvidas especificamente para os espaços onde são exibidas. Partindo de uma forte tradição de obras participativas no Brasil, cujas origens podem ser encontradas no movimento neoconcreto, gestado no mesmo Rio de Janeiro natal de Neto, muitas das obras do artista são criadas de maneira a serem adentradas pelo espectador, convocado a explorá-las não só com os olhos, como também com o corpo. Mas, mesmo nas obras que não são penetráveis, estão presentes conceitos de saturação e imersão, experimentados por meio da estrutura da obra, baseada em estímulos de natureza visual, tátil e olfativa. No começo de sua obra, o artista usou chapas de metal tensionadas e colocadas no espaço, mas, partir do fim dos anos 1980, Neto se aproximou de materiais cotidianos, como as meias de poliamida e esferas de chumbo, que caracterizam o amadurecimento de sua linguagem como escultor.

Nesse sentido, Copulônia ocupa posição especial na trajetória de Neto. Muitos dos elementos que vieram a se tornar característicos de sua obra já se encontram desenvolvidos nessa obra: a compreensão sensível da abstração geométrica; a noção de escultura composta de muitas partes, em oposição ao monólito; o emprego de formas lúdicas; e especialmente a tensão elástica de materiais têxteis. Noções como opacidade e transparência, tensão e repouso, peso e leveza, cheio e vazio, todo e parte, corpo e paisagem criam relações não necessariamente opostas entre si. Seu título faz referência à “cópula” (termo utilizado pelo artista para caracterizar um tipo de elemento, presente na obra, em que duas partes se penetram) e à “colônia” (seção da obra na qual os elementos se repetem).

Jochen Volz