Gabriel Sierra

INSTITUTO INHOTIM

BELO HORIZONTE

SÃO PAULO

San Juan de Nepomuceno, Colômbia, 1975; vive em Bogotá

Embora seja colombiano e tenha feito formação em desenho industrial na Colômbia, Gabriel Sierra costuma dizer que tem mais afinidade com a arte brasileira do que com aquela produzida em seu país. Assim, é natural que boa parte de sua produção nutra uma relação fecunda com o neoconcretismo, considerado o primeiro momento de independência, originalidade e superação da arte brasileira do século 20 em relação a suas matrizes europeias.

Entre seu panteão neoconcretista, Lygia Clark ocupa um lugar especial. Suas obras, assim como as de Clark, fazem um percurso entre objeto, espaço e corpo.  Por ter formação em design, Sierra dialoga também com arquitetos e designers, como Mies Van Der Rohe (1886-1969) e Bruno Munari (1907- 1998). A utopia moderna é uma espécie de paradigma em aberto para ele, que diz desejar ter sido arquiteto na época em que esses desenhavam não apenas os edifícios, mas os objetos que os recheavam.

Estantes Interrumpidos [Estantes interrompidas] estão entre as primeiras obras de Sierra e são híbridas no sentido que ainda revelam o seu interesse inicial pelo desenho de mobiliário, porém de maneira evidentemente subvertida. Construídas com planos de madeira organizados em vetores verticais e horizontais, são estantes que podem vir a ter seu uso interrompido pela modificação do seu estado. Forma e função operam aqui um estranho colapso. Sierra se interessa tanto pelo estado em que o objeto poderia cumprir seu papel de estante, isto é, um elemento extraído do universo industrial e inserido no contexto da arte, quanto pelo outro, em que a função deixa de estar presente, e o móvel passa a se assemelhar a quadros geométricos pendurados na parede. Poderia se dizer, porém, que o maior interesse se encontra, nesse momento de transição, facilitado pelo uso de planos articulados, evocando a obra de Lygia Clark.

Rodrigo Moura