Gordon Matta-Clark

INSTITUTO INHOTIM

BELO HORIZONTE

SÃO PAULO

Nova York, EUA, 1943 – Nova York, 1978

Gordon Matta-Clark realizou grandes cortes em edifícios, distribuiu ar fresco pelas ruas, dançou no alto de uma árvore, comprou fragmentos de bens imóveis, fritou fotografias junto com folhas de ouro, teve um restaurante e muito mais. Formado em arquitetura, produziu em poucos anos, principalmente na década de 1970, o abrangente corpus de sua obra que incorpora intervenções sociais e arquitetônicas, performance, textos, escultura, desenho, fotografia e filme, sendo considerado hoje um dos mais influentes nomes da história recente da arte. Seus trabalhos mais conhecidos são descritos pelo artista como “anarquitetura” e, por outros, como desconstrução ou decomposição. Neles, Matta-Clark fazia intervenções de corte e deslocamento em edificações abandonadas ou condenadas registradas em fotografia e filme. Fendas e intervalos eram o que mais interessava a Matta-Clark, e suas obras enfocam a decadência arquitetônica e as mudanças sociais no espaço urbano.
Além de suas conhecidas intervenções arquitetônicas, como casas partidas ao meio (Splitting [Dividindo, 1974]) e edificações com paredes recortadas (Conical Intersect [Interseção cônica], 1975), Matta-Clark também expunha em galerias fragmentos retirados de prédios. Coat Closet [Guarda-Casacos, 1973] é uma de suas peças recortadas. Trata-se de um volume cúbico extraído de um armário embutido de um apartamento nova-iorquino, acoplado do forro do teto do apartamento abaixo. Posteriormente o objeto é exposto como uma escultura clássica sobre um pedestal, ao lado de duas fotografias que documentam a operação. A obra remete à ideia da parte versus o todo, das possibilidades de compreensão da realidade a partir de um fragmento, além de apontar para as relações entre fotografia e escultura. Como o artista explicou: “O closet era o contêiner do corte da mesma maneira como o corte continha o closet.”

Jochen Volz