Hitoshi Nomura

INSTITUTO INHOTIM

BELO HORIZONTE

SÃO PAULO

Hyogo, Japão, 1945; vive em Tóquio, Japão

No fim da década de 1960, Hitoshi Nomura viu caixas de papelão se deformarem com a passagem dos dias e percebeu que havia novas maneiras de se pensar a escultura. Essa observação resultou em Tardiology (1968-69), sua primeira obra conhecida, em que uma torre de papelão é fotografada enquanto se desfaz pela ação do tempo, da intempérie e da gravidade. Em sua obra, fenômenos naturais, tempo e espaço são materializados em estruturas e ações efêmeras, registradas em fotografias e filmes de forma objetiva e analítica. A partir desse primeiro esforço antimonumental, o artista criou trabalhos sobre as propriedades químicas de diferentes elementos, registrou em áudio conversas cotidianas, registrou o movimento dos astros. Sua obra, sistemática e metódica, é como a de um homem da ciência, mas sua reação aos fenômenos é criar narrativas poéticas que nos dizem de um universo em movimento.

Por dez anos, Nomura carregou consigo uma câmera de 16 mm. Nesse período, produziu Turning the Arm with a Movie Camera [Girando o braço com uma câmera], em que duas imagens são captadas e posteriormente exibidas simultaneamente. Numa delas, vemos o registro do artista fazendo movimentos circulares com o braço com uma câmera na mão; na outra, a imagem gravada a partir do braço que se move. O artista evoca tempo e espaço. O espaço e sua ocupação são percebidos mediante o corpo e a ação do artista, gravados de diferentes ângulos e orientações. Uma das câmeras é como um espectador externo; a outra, o prolongamento de seu corpo. Nesta última, é mais evidente a representação do tempo, com um movimento semelhante ao do relógio e à rotação da Terra – que, apesar de conhecermos, não sentimos. Nessa encenação em pequena escala, vemos o movimento planetário e, segundo o artista, “tomamos conhecimento de algo que poderia ser chamado de sensibilidade cósmica”.

Cecília Rocha