Iran do Espírito Santo

INSTITUTO INHOTIM

BELO HORIZONTE

SÃO PAULO

Mococa, SP, 1963; vive em São Paulo

Iran do Espírito Santo atua desde meados dos anos 1980. Ainda que a escultura seja o suporte que melhor caracteriza seu trabalho, o artista também desenvolve fotografia, pintura de parede e desenho. A representação é um de seus principais campos de estudo, que pode referenciar a própria arte, mas também se relaciona à arquitetura e ao desenho industrial. Em sua obra, objetos ordinários e formas comuns são transformados por meio de técnicas precisas, com material tradicional do campo da escultura. Na elaboração de suas obras, cada objeto sofre análise meticulosa, fazendo notar suas dobras, revelando sua textura, dissecando os planos que o integram, a sua forma desdobrada. A escala industrial associada às formas com que trabalha é contrariada por peças únicas, com grande concisão, mas extremamente sedutoras. Em sua produção, o artista estabelece forte relação com a arte pop, o minimalismo, mas sobretudo, com o concretismo paulista e com a tradição modernista brasileira.

Suas obras são realizadas quase sempre com um único material, que pode ser mármore, granito, vidro ou metal, fazendo uso das cores preta, branca e de escalas de cinza como seus tons principais. Caixa branca e Caixa preta (2003) integram uma série de esculturas que representam objetos cuja função primordial é guardar ou conter coisas. Além das caixas, há barris e latas, que, feitos em mármore ou em granito, preservam apenas a aparência do objeto que lhes serviu de modelo. O vazio, fundamental para a sua utilização, foi substituído por maciços de matéria sólida. Expostos, lado a lado, em sua versão branca e preta, o artista ressalta a simplicidade rigorosa dessas formas que aqui parecem representar, paradigmaticamente, uma gama de outros objetos. Essa tensão é criada pelo jogo entre peso, forma, volume e densidade, e está presente em um extenso conjunto de suas esculturas.

Julia Rebouças