Jiro Takamatsu

INSTITUTO INHOTIM

BELO HORIZONTE

SÃO PAULO

Tóquio, Japão, 1936 – Tóquio, 1998

Jiro Takamatsu é uma das principais figuras da vanguarda japonesa dos anos 1960 em diante, tendo participado do seminal coletivo High Red Center (1963-64) e se aproximado do movimento Mono-Ha (1968-1975), ao lado de artistas como Koji Enokura e Nobuo Sekine (n.1942). No High Red Center, a prática do coletivo se interessava pela incorporação da arte à experiência cotidiana e ao espaço público em Tóquio, refletindo questões importantes para a sociedade japonesa no pós-guerra. No momento seguinte, os trabalhos solo de Takamatsu se envolvem com considerações sobre a materialidade e as próprias condições de existência do trabalho de arte, lidando com materiais tão diversos quanto papel, madeira, concreto, metal, corda e luz, articulando um sutil diálogo com o minimalismo. São célebres suas pinturas de sombra, em que figuras são representadas em quase total ausência sobre o espaço pictórico, numa delicada paleta de tons de cinza.

Photographs of photographs [Fotografias de fotografias, 1973], foram feitas em colaboração com um fotógrafo profissional a partir de fotos do arquivo pessoal e familiar do artista. O procedimento joga com adimensão temporal da fotografia e com a memória, além de relacionar as imagens com outros cenários e objetos “reais”: uma mão, uma régua, uma estante de trabalho, o batente de uma porta. As metafotografias de Takamatsu definem uma nova filiação para sua prática citacionista, que de alguma forma antecipa uma série de obras que questionam a imagem fotográfica ao longo das décadas de 1970 e 1980. Aqui, mais do que a alteração da imagem original pelo procedimento da citação, o que parece importar é o poder da colocação, do posicionamento, do arranjo, na leitura que fazemos destas imagens. Este poder nos faz desconfiar daquilo que, aparentemente neutro, está no entanto profundamente carregado de intenção.

Rodrigo Moura