Jose Dávila

INSTITUTO INHOTIM

BELO HORIZONTE

SÃO PAULO

Guadalajara, México, 1974; vive em Guadalajara

A obra de Jose Dávila é construída com base em um intenso diálogo entre arquitetura e arte. Da arquitetura, sua área de formação, o artista traz a pesquisa sobre a ocupação do espaço, os materiais construtivos, a composição de elementos que possibilita que uma estrutura se erga, o cálculo matemático das forças que a mantêm equilibrada. Da arte, aprendida de forma autodidata, vêm os processos experimentais, a liberdade criativa, o questionamento das formas e funções, o trabalho com a memória e a percepção do espectador. Sua obra é frequentemente composta de comentários pessoais sobre movimentos artísticos dos anos 1960 e 1970, como o neoconcretismo brasileiro, o minimalismo e a arte conceitual. Dávila, em diferentes ocasiões, recriou obras icônicas desse período, utilizando diferentes materiais e escalas para acrescentar novos significados àqueles já existentes.

Um desses trabalhos de reinterpre- tação foi feito com a série Homage to the Square [Homenagem ao quadrado], de Joseph Albers (1888-1976). Ao longo de 25 anos, Albers explorou aspectos da cor e da luz em uma grande série de pinturas, gravuras, tapeçarias e desenhos desenvolvidos a partir de quadrados sobrepostos. Nessas composições abstratas, a combinação de tons e a repetição assimétrica de formas geométricas possibilitam a experimentação subjetiva da cor. Dávila desenvolveu sua homenagem ao artista e à abstração geométrica, criando uma série de mesmo nome, em que um quadrado monocromático é pintado numa parede, e, à frente dele, vidros transparentes também quadrados, cada um com uma dimensão, sobrepõem-se. Da combinação de camadas de materiais, diferentes matizes do monocromo são criados pela diferente incidência da luz. Aquilo que, na pintura de Albers, era pura experiência ótica com a cor é rematerializado em três dimensões por Dávila, com elementos que, em seu precário equilíbrio, provocam o corpo do espectador.

Cecília Rocha