Juan Araujo

INSTITUTO INHOTIM

BELO HORIZONTE

SÃO PAULO

Caracas, Venezuela, 1971; vive em Caracas

As obras de Juan Araujo evidenciam uma teia de relações e referências tão elaborada quanto a própria natureza do seu trabalho pictórico. Desde os anos 1990, o artista desenvolve um vasto corpo de obras, marcado pela reflexão sobre a relação que a pintura e a arquitetura estabelecem com os sistemas que as reproduzem. Convocando o princípio da mimese, mas também a apropriação e a citação, o artista cria imagens que têm como tema outras imagens, provenientes de ilustrações, livros e fotografias. O conjunto de pinturas sobre a Casa de Vidro (1951) de Lina Bo Bardi (1914–1992), concebidas para a 27a Bienal de São Paulo, em 2006, marcou o início do seu interesse pela arquitetura moderna brasileira. Desde então, Araujo se aprofundou no assunto, até chegar ao ciclo Mineiriana (2013), comissionado pelo Inhotim, em que trabalhou com referências de Minas Gerais, da Pampulha ao barroco mineiro e sua representação ao longo do século 20.

Em Vasarely-Milan II, o interior de um ambiente doméstico aparece refletido no vidro que cobre uma serigrafia emoldurada do artista húngaro Vitor Vasarely (1908–1997), pendurada nesse ambiente. A casa que se vê na pintura é a Residência Milan (1972), de Marcos Acayaba, discípulo de Vilanova Artigas (1915–1985), um dos principais nomes da arquitetura moderna paulista. À composição de Vasarely, sobrepõem-se as principais características da casa – a estrutura em formato de concha, evocando uma forma orgânica, e a ligação entre os espaços internos, que trazem a natureza para o “interior” da arquitetura. A representação virtuosa de Araujo está longe de ser naturalista, mas não deixa de sugerir um contraponto à obra cinética. Vasarely-Milan II retoma, assim, os jogos de transparência, o desdobramento de planos sobre o plano de representação e as noções de abstração/figuração e realidade/ ficção, que têm permeado a obra do artista.

Inês Grosso