Koji Enokura

INSTITUTO INHOTIM

BELO HORIZONTE

SÃO PAULO

Tóquio, Japão, 1942 – Tóquio, 1995

Mono-ha foi um grupo ativo em Tóquio entre 1968 e 1975, reunindo artistas como Koji Enokura, Nobuo Sekine (n. 1942) e Lee Ufan (n. 1936). Seu nome quer dizer “escola de coisas”, e seu trabalho é conhecido pelo uso de materiais orgânicos ao lado de industriais, apontando para paralelos com movimentos contemporâneos como a arte povera e o pós-minimalismo. Importante artista identificado com o grupo, Enokura é conhecido por suas instalações efêmeras, como The Ceremony of Walking [A cerimônia da caminhada, 1969], em que cria uma espécie de ritual a partir do percurso do espectador na galeria e introduz placas de orientação sobre seu comportamento no espaço, sobrepondo uma dimensão transcendental àquela meramente física. “Estética da ação, religião da ação, cerimônia da ação, arte da ação, prover instruções uniformes dentro da sala, cessação da ação, velocidade da ação, ascensão, queda, determinar número de passos”, registram as notas do artista.

Essas obras levaram Enokura a estabelecer um forte vínculo com a fotografia, que era compreendida como forma documentação, mas conquista um papel autônomo em sua prática. As duas imagens desta exposição, Quality [Qualidade] e Wall [Parede], ambas de 1971, correspondem ao registro de duas intervenções criadas para, respectivamente, a 10ª Exposição Japonesa de Arte Contemporânea, em Tóquio, e a 7ª Bienal de Paris. Na primeira, uma parede de reboco foi sobreposta ao espaço da galeria, criando ao mesmo tempo uma superfície pictórica e uma meta-arquitetura. Na segunda, uma parede foi levantada entre dois pinheiros em um parque, criando um obstáculo efêmero para o corpo e o olho, que é fixado na imagem fotográfica. Exibidas juntas em Inhotim, as duas imagens apontam para uma rica dialética entre o espaço ao ar livre e o do cubo branco, acentuando as passagens por vezes traumáticas entre um e outro.

Rodrigo Moura