Melanie Smith

INSTITUTO INHOTIM

BELO HORIZONTE

SÃO PAULO

Poole, Inglaterra, 1965; vive na Cidade do México

Melanie Smith se mudou para a Cidade do México em 1989. Pouco depois de se formar como artista em sua Inglaterra natal, passou a fazer uma obra que inclui vídeo, fotografia, pintura e instalação e é influenciada pela história da arte, pela cultura mexicana e por sua condição de estrangeira. Seu trabalho é uma reflexão sobre a transposição do conceito eurocêntrico de modernidade para a América Latina, com foco principalmente no México. Smith associa características formais de movimentos artísticos de vanguarda, como a pesquisa das cores e a análise da geometria, à natureza e à herança colonial e pós-colonial. Entre os procedimentos que a artista usa em seu trabalho, está a viagem, que a levou a retratar projetos utópicos, como o centro industrial Fordlândia (2013), criado por Henry Ford (1863–1947) visando a processar látex na Amazônia. Para a artista, a incompletude do processo de modernização latino-americano é vista como potencialidade, e não como fracasso.

Em Aztec Stadium. Malleable Deed [Estádio Asteca. Proeza maleável], Smith cria um monumento à modernidade mexicana. Filmado no mais importante estádio do país, projetado em 1968 por Pedro Ramirez Vazquéz (1919-2013), arquiteto que desenhou edifícios modernos na Cidade do México, o vídeo é uma resposta subversiva às comemorações oficiais do bicentenário da independência do país. Três mil alunos de escolas públicas criam imensos mosaicos com imagens de marcos formadores do imaginário nacionalista e popular mexicano (como uma máscara asteca e a bandeira do país) e da história da arte (como Kazimir Malevich [1879–1935] e sua célebre pintura Quadrado vermelho, 1915), enquanto mensagens são inseridas numa tela (“a revolução não será televisionada”). Como se fossem performances encenadas para o vídeo, textos e imagens estão condenados à desintegração, evocando a potencialidade do caos e da ação das massas.

Cecília Rocha