Michael Smith

INSTITUTO INHOTIM

SÃO PAULO

Chicago, EUA, 1951; vive em Nova York e em Austin, EUA

Michael Smith sempre diz que a televisão influenciou diretamente seu trabalho, seja na forma como a atuação cômica aparece como fio condutor, seja na própria execução de suas apresentações ao vivo e de seus vídeos curtos. Sua obra emergiu na cena underground de performance em Nova York a partir de meados dos anos 1970, num momento em que os artistas buscavam lugares alternativos para exibir sua produção, tais como lofts do bairro do Soho e galerias dirigidas por eles próprios. Nesse sentido, sua relação com o público também é importante, na medida em que, assim como nos shows de auditório, a claque estimula o performer, que por sua vez estimula a audiência. Sempre referenciando e pervertendo a lógica do entretenimento, Smith criou e interpretou personagens como Baby Ikki, o bebê, e Mike, o alter ego joão-ninguém, para discutir temas caros à sua geração, como identidade, gênero, cultura de massa e sexualidade.

O slide-show USA Free-Style Disco Championship [Campeonato americano de disco em estilo livre, 1979/2003] usa textos e fotos para registrar uma história real: após encontrar um convite para um concurso de dança, o artista decide participar. Chega cedo ao clube para se esquentar, mas, mesmo assim, só consegue o 12º lugar. A performance é registrada por um fotógrafo misturado à plateia. O artista vive uma versão fajuta do herói de Embalos de Sábado à Noite (1977), filme que tornou a disco music um sonho de aceitação social para jovens do mundo inteiro. Nas fotografias, Smith dança e interage com as luzes, os brilhos e os reflexos do lendário clube nova-iorquino Copacabana, ao som do mega-hit Don’t Leave Me This Way, interpretado por Thelma Houston. Aqui o homem comum aspira a rei da pista, mas mal consegue disfarçar sua inaptidão. Como público, assistimos impressionados a sua expressividade.

Rodrigo Moura