Pipilotti Rist


BELO HORIZONTE

Grabs, Suíça, 1962; vive em Zurique, Suíça

Desde meados da década de 1980, Pipilotti Rist cria videoinstalações que exploram emocional e esteticamente o espaço físico e psicológico do espectador. Escolheu o vídeo em vez do cinema porque, se nos dois cabem movimento, tecnologia e música, no vídeo é mais possível trabalhar em pequenas equipes e manter o experimentalismo. A artista compara suas imagens a pinturas que se movem atrás de vidros, e elas são resultado de muitas horas de gravação e de interferências tecnológicas, como a saturação das cores, a transformação de escalas, a sobreposição de gravações e a alteração de ritmos. Sua obra não é construída de represen- tações realistas, mas se reporta às imagens internas da artista, suas sensações e sensibilidade. Para a exibição de seus trabalhos, Rist muitas vezes cria espaços imersivos em que a instalação se confunde com a arquitetura expositiva – para ela “o museu é o contexto para desejos extraordinários”.

Homo sapiens sapiens foi gravado no Inhotim, em 2005, antes de o parque ser aberto ao público. No vídeo, a natureza e o corpo humano são explorados sensorialmente – as imagens são táteis; a trilha sonora, hipnótica; as cores, vivas e brilhantes. Ali não há mais polaridade entre homem e ambiente, entre sonho e realidade. A qualidade onírica do que vemos é ampliada pela transformação de formas familiares em imagens caleidoscópicas que se fragmentam e se multiplicam. Interagir com o ambiente idílico criado pela artista requer do espectador que se deite em pufes e assista à projeção no teto da galeria. A obra foi exibida pela primeira vez na Igreja de San Stae, na Bienal de Veneza de 2005 e, desde então, foi readaptada para outros espaços, incluindo o Centro de Arte Contemporânea e Fotografia, prédio originalmente desenhado para ser um banco no centro de Belo Horizonte e inaugurado em 1925.

Cecília Rocha