Robert Morris

INSTITUTO INHOTIM

BELO HORIZONTE

SÃO PAULO

Kansas City, EUA, 1931; vive em Nova York, EUA

No firmamento estrelado da arte americana dos anos 1960, Robert Morris ocupa lugar de honra. Desde Box with the Sound of its Own Making [Caixa com o som de sua fabricação], de 1961, um cubo de madeira de 25 centímetros com um gravador no seu interior reproduzindo as 3 horas e meia de sua construção, Morris vem investigando a natureza do objeto de arte, abrindo as portas para uma arte sempre disposta a duvidar de si mesma. Ao incorporar a indeterminação e o processo como valores em si, sintetizando-os em formas elementares, sua obra ofereceu uma ponte entre a sensibilidade neodada herdeira de Duchamp e o incipiente minimalismo, que então renovava a ortodoxia da abstração geométrica. Em 1968, com suas esculturas de feltro e o texto Antiforma, Morris abre caminho para o pós-minimalismo, cujos principais artistas foram reunidos na exposição “Nine at Leo Castelli”, organizada por ele naquele mesmo ano.

Apresentada pela primeira vez na Green Gallery, em Nova York, em 1965, Mirrored Cubes [Cubos espelhados, 1965-1971] é uma obra fundamental de sua produção, que se situa no centro exato entre esses dois extremos. Composta por quatro cubos, posicionados no chão nas esquinas de um quadrado formado por eles, deixando algum espaço de circulação entre cada um, a obra estimula a participação do espectador. Ao aproximar corpo e visão da escultura, a obra se transforma, refletindo piso, paredes e teto, além de outras obras de arte e pessoas que eventualmente estiverem ao seu redor, além do próprio do espectador. Aqui Morris aposta numa ideia de desestetização da forma. À rigidez minimalista, que tem no cubo o seu paradigma absoluto, sobrepõe uma superfície reflexiva, que faz com que a obra se complete apenas no encontro aleatório, impossível de se prever, entre arquitetura da galeria, visitantes e obra de arte.

Rodrigo Moura