Thomas Hirschhorn


BELO HORIZONTE

Berna, Suíça, 1957; vive em Paris

Thomas Hirschhorn é conhecido por suas instalações e esculturas de grande escala, que transformam espaços “cubo branco” de museus e galerias em ambientes cativantes que evocam a política global, a teoria crítica e o consumismo. Treinado originalmente como designer gráfico, Hirschhorn examina a política e a economia na esfera pública, combinando objetos, imagens encontradas e textos e utilizando construções de baixa tecnologia feitas com papelão, papel alumínio e fita adesiva, assim como outros materiais cotidianos associados ao consumo. Por meio da suntuosidade e do exagero de suas obras, Hirschhorn engaja o espectador em discussões sobre justiça, injustiça, poder, impotência e responsabilidade moral. Sua prática é ampla, passando por colagens, vídeos e filmes até chegar a instalações de escala ambiental e obras de engajamento comunitário no espaço público. Um excesso sensorial atravessa toda a sua obra, estimulando nosso processo de luta com a afluência de informação que cruza o dia a dia.

Concept Car [Carro conceito] é uma escultura que segue o mesmo princípio de abundância. Um Ford Fiesta usado é coberto e decorado com diversos tipos de objetos e de textos. Em dois painéis de compensado, pode-se ler: “Onde estou?” e “O que eu quero?”. Outros escritos incluem palavras como “Verdade”, “Autonomia”, “Beleza”, “Vida dos Sonhos”. Livros, adesivos, cartazes de papelão, ferramentas e brinquedos estão colados ao carro, não obedecendo a nenhuma ordem específica. A escultura nos lembra tanto dos vendedores de rua que usam seus veículos para expor mercadorias quanto da prática de utilização do carro como plataforma de expressão de crenças pessoais e orientação política. Mediante esses elementos e seu acúmulo, o artista denuncia o consumismo na sociedade contemporânea e a manipulação nos meios de comunicação – ao mesmo tempo, lembra- nos de que os livros, por exemplo, podem ser as novas ferramentas que nos permitirão intervir no mundo.

Jochen Volz