Anri Sala

Tirana, Albânia, 1974; vive em Berlim, Alemanha

Anri Sala faz parte da última geração de artistas que cresceram sob o regime comunista na Albânia (1945-1992), então um dos países mais isolados do mundo. Foi no período do colapso da ditadura que o artista começou a estudar e produzir a sua obra em vídeo, fotografia e instalação. Em seus trabalhos iniciais, seu interesse se concentrava na história e nas suas possibilidades de ser recontada, particularmente em relação à política da sua Albânia natal. Sua obra fala sobre a capacidade da arte de refletir e potencializar transformações sociais, e seu olhar é sempre atravessado por sua história pessoal. É assim em Intervista [Entrevista, 1998], vídeo em que o artista entrevista sua mãe a respeito de uma entrevista dada por ela, quando jovem militante, sobre o regime ditatorial, e em Dammi I Colore [Dá-me a cor, 2003], em que Tirana, a capital albanesa, é retratada em seu processo de transformação.

Num corpo de obra mais recente, Sala se ocupa da relação entre som e imagem e de situações em que tempo e espaço se combinam. É o caso de Air-Cushioned Ride [Passeio em amortecedor de ar], em que ele documenta uma viagem através do estado do Arizona, nos Estados Unidos, ouvindo música barroca no rádio de seu carro. Assim que ele entra numa área de descanso para motoristas à margem da estrada, o sinal do rádio sofre a interferência de outras frequências dos caminhões estacionados. Ao dirigir continuamente ao redor dessa massa de veículos, a música country transmitida por outra estação interrompe, de modo intermitente, a música barroca que se escuta. Ao som dessa trilha, o vídeo mostra caminhões chegando e partindo do estacionamento e uma linha de horizonte sem fim. Numa referência ao gênero road movie, Sala investiga um lugar intermediário, que nunca é ponto de partida ou de chegada.

Cecília Rocha