Daniel Steegmann Mangrané

Barcelona, Espanha, 1977; vive no Rio de Janeiro

Em seus trabalhos, Daniel Steegmann Mangrané já reinterpretou grafismos indígenas, mostrou imagens da floresta tropical ao som do canto estridente de uma ave em vias de extinção e filmou uma família de bichos-pau escondida numa maquete geométrica. Como uma jornada poética e conceitual, sua obra, que compreende desenho, pintura, escultura, filmes e instalações site-specific, usa a geometria, fechada ou expandida, pura ou contaminada, para convocar a oposição entre o analítico e o orgânico, o imaterial e o corpóreo. Sua rede densamente estruturada combina reflexões sobre tempo, espaço, cor e abstração com elementos da cultura indígena, da botânica e das ciências sociais. Radicado no Brasil, desde 2004, Steegmann Mangrané atravessou o Atlântico para conhecer a Amazônia. Desde então, tem construído enigmáticas narrativas que se entrelaçam, com referências que vão da arte moderna brasileira (a inclinação ao orgânico, de Tarsila do Amaral [1886–1973]ao Bicho, de Lygia Clark, vêm à mente) à arte conceitual.

Exibido, pela primeira vez, na 30a Bienal de São Paulo, em 2012, 16 mm foi filmado com um dispositivo especialmente criado pelo artista, por meio do qual uma câmera de 16 mm desliza por um cabo de aço colocado a três metros de altura. Como uma penetração ótica na natureza, a câmera avança sincronizada à velocidade da bobina: a cada metro de filme rodado, um metro de trilho é percorrido. O filme é composto de um longo travelling, que adentra a Mata Atlântica, linha reta que desaparece na floresta. Relacionando geometria, percepção e natureza, 16 mm representa uma síntese entre forma, conteúdo e processo. A câmera dolly usada nas filmagens é apresentada suspensa num cabo que atravessa o espaço expositivo – uma alegoria que nos lembra ser esse um filme sobre a ocupação e a exploração da floresta, mas também, como sugere o título da obra, sobre o tempo e a natureza do processo criativo.

Inês Grosso