Helio Oiticica

INSTITUTO INHOTIM

Rio de Janeiro, 1937 - Rio de Janeiro, 1980

Integrante mais jovem do Grupo Frente e, ao lado de Lygia Pape e Lygia Clark, um dos principais nomes do movimento neoconcreto, Hélio Oiticica pode ser considerado um prodígio da arte brasileira. Sua obra de início de carreira, os guaches da série Metaesquemas, desestabiliza a grade ortogonal mediante ritmos, distorções e diagonais. As séries se sucedem, passando pelas Invenções, Relevos espaciais, Bilaterais, Núcleos, Penetráveis, Bólides, Parangolés, Ninhos, entre outras, além de combinações e variações das categorias. Seu programa de invenção rigoroso aponta para a aproximação entre arte e vida, tendo na cor o elemento plástico que quebra os limites da pintura e a leva ao espaço real. Sua produção é acompanhada por um vasto corpo de escritos sobre o estatuto da arte. Desde 2008, a obra penetrável Invenção da cor – Magic Square # 5, De Luxe (1977) está instalada permanentemente nos jardins do Inhotim, propondo a imersão do espectador numa ampla arquitetura cromática.

Ao lado dos Bilaterais, os Relevos espaciais são suas primeiras obras tridimensionais, suspensas no espaço. Oiticica as chama de “estrutura-cor no espaço”. O que lhes dá sentido e as tornam fundamentais no seu percurso é a relação complexa que instauram na fruição do espectador. Há a superação gradual da relação frontal do olhar sobre o objeto, em direção a uma maior convocação do corpo, rompendo com a afinidade eletiva da pintura com a parede. O objeto deixa de se revelar inteiramente na linha dos olhos e se desvenda à medida que o espectador se movimenta em torno dele, descobrindo seu desfolhar do plano com fendas, sobreposições e assimetrias. Assim, a pintura deixa de ser janela para o mundo para se tornar coisa no mundo. “Museu é o mundo”, diz um dos motes de Oiticica, que aparece no texto Posição e programa (1966). Os Relevos são etapa importante nessa formulação.

Rodrigo Moura