Marcius Galan

Indianápolis, EUA, 1972; vive em São Paulo

Na obra de Marcius Galan, o ilusionismo tem papel importante, seja na fabricação de objetos industriais com esmero artesanal, seja ao impor relações físicas estranhas aos materiais, de certa maneira forjando sua transformação. Sua sintaxe da precisão, marcada pela economia de materiais e de formas, está tão ligada a uma linhagem brasileira da escultura neoconstrutiva [pensamos especialmente no vazio de Franz Weissmann (1911-2015)] quanto à visualidade anônima das grandes cidades e ao sistema ideológico que rege os espaços da arte. Sua afinidade com o minimalismo deve ser entendida na medida em que há na sua obra um interesse quase empático pela forma vernácula.

Essa troca simbólica entre polos (a indústria e o artesanato, a cidade e a arte) é o que possibilita que sua obra possa ser lida tanto em termos formais quanto em termos políticos, sem que haja prejuízo nem de um campo nem de outro, mas antes férteis contaminações.

Seção Diagonal extrapola a representação e o objeto, num movimento em direção ao espaço real que leva o espectador a reexaminar sua presença diante da obra. O ambiente propõe uma relação ativa, causando uma reação inicial de descoberta e surpresa, seguida de um momento que pode variar do encantamento à decepção. A obra é composta de elementos e materiais básicos, aqueles mesmos encontrados em qualquer sala de exposição: paredes, teto e piso; tinta, luz e cera. Contudo, ela propõe um deslocamento da nossa percepção ao sugerir a presença de um elemento que, afinal, não existe no espaço. A obra acontece na transformação deste espaço pela inclusão de uma linha diagonal que o divide, criando um campo de cor. Ela se confunde com a sala de exposição – causando, por isso, a confusão em nossa percepção. Depois de experimentá-la uma vez, resta a frágil lembrança do momento inicial, cuja repetição é, pelo menos imediatamente, impossível.

Rodrigo Moura